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domingo, 2 de setembro de 2012

Substantivos Egípcios


Define-se substantivo como palavra que designa seres e objetos reais ou uma ação, estado, ou qualidade ao qual pode ser atribuído gênero e numero. Na língua egípcia não era diferente.  



Como no português, o egipcio possuia apenas dois generos, masculino e feminino. É facil dizer qual gênero pertence um substantivo: com poucas exceções, todos os substantivos femininos possuem uma letra adicionada ao final,; por exemplo a palavra  snt "irmã"   T22-N35:X1-B1 (raiz sn "irmão" T22-N35:A2). Substantivos masculinos geralmente não possuem uma terminação especial, embora alguns apresentem as letras j (i) ou w  adicionadas a raiz da palavra: khftj "inimigo', khfaw "serpente".

Na parte destacada se lê "Amon-Rá, Rei dos Deuses",
note os três traços indicando o plural
para da palavra "deus".
Para saber se um substantivo se referia a mais de uma coisa, os egipcios precisavam apenas adicionar a letra (u) no final dos substantivos masculinos, como em ntrw "deuses", e para os femininos a terminação wt, como em ntrwt "deusas". Na escrita, para apresentar esta regra, adicionava-se apenas três traços ao final da palavra. Os escribas também criaram um metodo para que um substantivo indicasse apenas duas coisas. Esta regra, era expressa colocando-se a terminação wj para substantivos masculinos e tj para femininos.                     


Por ultimo, é importante ressaltar que o substantivo egípcio não possuía artigo definido ou indefinido.desta maneira  um substantivo tal como HfAw V28-I9:F40-G43-I15, poderia significar tanto "A serpente", "Uma serpente" ou exatamente "sepente". a ausencia do "A" e "Uma" pode parecer confuso a principio, mas você em breve verificará que não apresenta problemas na maioria das sentenças. Muitas línguas modernas, tais como o Russo, também não possuem  artigos definidos ou indefinidos, e ficam muito bem sem elas.


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Nós e as Múmias - Entrevista com Christian Jacq



O escritor francês, autor da série de romances
Ramsés, diz que o mundo contemporâneo
deve muito ao Antigo Egito


Carlos Graieb

Desde o final de 1998, a lista de livros mais vendidos de VEJA, principal referência tanto para leitores como para editores brasileiros, hospeda as obras do francês Christian Jacq. Autor de romances ambientados no Antigo Egito, berço de uma das civilizações mais fascinantes da História humana, Jacq fala de faraós e princesas do Nilo com a autoridade de estudioso do assunto. Ele é capaz de ler hieróglifos como quem lê o jornal na mesa do café da manhã. O escritor apaixonou-se pelo Egito no início da adolescência e visita o Cairo diversas vezes por ano, onde é recebido de maneira calorosa pelos arqueólogos lá baseados. "É nas velhas tumbas, entre pinturas e inscrições milenares, que me sinto em casa", costuma dizer. Em seus livros, Jacq mistura conhecimento histórico com aventura e fantasia. Sua fórmula vem alcançando um sucesso extraordinário. Em 25 países, os cinco volumes da série Ramsés venderam mais de 5 milhões de exemplares – 250.000 dos quais só no Brasil. Jacq acaba de lançar uma nova saga, A Pedra da Luz, que já ocupa o primeiro lugar na lista de mais vendidos de VEJA. Serão quatro romances no total. Nesta entrevista, ele fala sobre múmias, arqueologia e o futuro das pirâmides.



VEJA – Como o senhor explica essa mania atual pelas coisas do Antigo Egito?

Jacq A "egiptomania", como dizem os franceses, não tem nada de recente. Ela foi e voltou várias vezes ao longo dos últimos 500 anos. Nos séculos XIV e XV, o enigma dos hieróglifos ocupou diversas mentes brilhantes. Na época dos grandes impérios europeus, o Antigo Egito exerceu um fascínio especial sobre os poderosos – Napoleão, por exemplo, era um apaixonado pelas pirâmides. Quanto ao século XX, acho que um momento foi importante para atrair o interesse das pessoas: a descoberta da tumba de Tutancâmon, com seu tesouro maravilhoso. Esse evento ganhou as páginas dos jornais e criou uma mística que parece inesgotável. E ela tem razão de ser – afinal de contas, estamos falando de uma das maiores civilizações da História universal. O Antigo Egito foi um dos berços da medicina, da literatura e das artes. Lá nasceram valores e idéias que ainda permanecem vivos.


VEJA – Quais? 

Jacq – Pense na tolerância. Os egípcios jamais promoveram perseguições religiosas. Entre eles não havia absolutismo moral. Foi no Egito, ainda, que nasceu a idéia de espírito. Mais: de que matéria e espírito deveriam viver em harmonia. A sociedade egípcia almejava a felicidade terrena e acreditava que todos os seus estratos tinham direito a ela. Alguns fundamentos do cristianismo podem ser considerados adaptações da antiga religião egípcia. O mais visível é o próprio conceito de eternidade – de que a vida terrena não é mais do que uma passagem para uma dimensão maior. A idéia do Cristo-Rei, por oposição ao Cristo sofredor e torturado, também tem raízes egípcias.

VEJA – E quanto à tradição literária?

Jacq –  O Egito nos legou um grande número de textos verdadeiramente artísticos, que são objeto de estudo dos egiptólogos. Para começar, temos as inscrições nas pirâmides e monumentos. Eu não hesitaria em compará-las às maiores epopéias da Antiguidade, como a Ilíada ou a Odisséia, ou até mesmo a obras mais tardias, como a Divina Comédia, de Dante. Elas relatam verdadeiras viagens do espírito humano. Além disso, existe um extenso corpo de poesias líricas e de narrativas de aventuras. Há ainda relatos históricos, como o da Batalha de Kadesh, que serviu de base para um de meus romances, e livros de sabedoria, dos quais traduzi alguns, cheios de conselhos e máximas. Estes últimos seriam equivalentes aos manuais de auto-ajuda de hoje em dia.

VEJA No cinema, principalmente, as múmias foram transformadas em monstros. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

Jacq – As pobres múmias já causaram todo tipo de impacto sobre o imaginário ocidental. No século XIX, havia uma crença absurda de que o pó das múmias tinha poderes afrodisíacos. Por causa disso, inúmeras tumbas foram violadas e seus conteúdos destruídos. A transformação das múmias em monstros é, em boa parte, culpa de exploradores desleixados, que as manuseavam e transportavam sem tomar os cuidados necessários. Dessa forma, muitas assumiram de fato um aspecto horrendo. Mas basta olhar uma múmia bem conservada para mudar de idéia. Uma das mais famosas é a de Seti I, o pai de Ramsés. Diante dela, você ainda pode sentir todo o poder e a sabedoria daquele homem.

 Devemos lembrar, também, que as múmias eram símbolos de vida, e não de morte. Os egípcios as produziam para evitar que a essência humana se dispersasse no vácuo. Nos últimos tempos, as múmias voltaram a ser admiradas. Recentemente, uma sala especial dedicada a elas foi inaugurada no Museu do Cairo. Exige-se dos visitantes que eles observem um silêncio respeitoso, e as pessoas realmente ficam quietas, pois a visão é impressionante. Quanto à famosa maldição de Tutancâmon, creio que não há muito mais a dizer. Alguns dos primeiros exploradores da tumba morreram por inspirar um fungo que crescia nas suas paredes. As outras mortes atribuídas à maldição são bobagem. Fiquem tranqüilos, leitores, as múmias não lhes desejam mal.

VEJASeus livros são marcados pelo misticismo. O senhor é místico?

Jacq – Não, não sou místico. Como autor, tento mostrar como os egípcios viviam a sua própria realidade. Era uma civilização em que os espíritos e a magia pontuavam vários aspectos do cotidiano. Um ponto curioso e pouco divulgado é que os egípcios acreditavam na existência de um Deus único. Ele, no entanto, se manifestava por meio de divindades menores, ligadas aos elementos – a água, o fogo, o ar e a terra.

VEJA – Há muitas informações a respeito da sexualidade dos antigos egípcios?

Jacq – A base da família egípcia era o casal. Dois ou três filhos eram bem-vindos, mas a falta de descendentes não representava uma tragédia. Um fato particularmente interessante é que as mulheres egípcias dispunham de diversos métodos contraceptivos. Ou seja, a mulher era livre em suas escolhas. Os egípcios, aliás, nutriam um grande amor pelas mulheres. Não é difícil saber o porquê: elas eram muito bonitas, como mostram as imagens que sobreviveram. Por falar em imagens, existem papiros com ilustrações de posições eróticas, os quais constituem uma espécie de Kama Sutra.

VEJANa Antiga Grécia, a homossexualidade ocupava um lugar de destaque. E no Egito?

Jacq Há referências à homossexualidade em certos textos, mas aparentemente os egípcios não a apreciavam muito. Algumas fontes de mandamentos morais, inclusive, mencionam a rejeição à homossexualidade. Os egípcios eram um povo tolerante, mas não davam a essa prática a mesma importância social que os gregos.

VEJAQual a idéia mais errada que as pessoas fazem em relação ao Antigo Egito?


Jacq – A de que as pirâmides foram construídas por escravos, que passavam por terríveis privações, eram chicoteados e tudo o mais. Todos os egiptólogos já refutaram essa idéia, mas ela ainda persiste nos filmes e no imaginário popular. 

Jamais houve escravidão no Egito. Todos os que trabalharam na construção dos monumentos recebiam salário – embora, como hoje, houvesse diferenças marcantes entre os salários dos diversos tipos de operários.

 Um segundo erro é o de que o faraó seria uma espécie de tirano, cercado de servas e concubinas. Pois bem: eu não desejaria a ninguém o cotidiano de um faraó, que era ainda mais pesado do que o de um chefe de Estado atual. Para começar, ele precisava acordar antes do amanhecer e fazer suas orações no templo. Em seguida, tinha de cumprir uma longa agenda de reuniões com ministros, com emissários de outros países etc. Além disso, o faraó não era um monarca absolutista. O regime egípcio estava muito mais próximo da monarquia constitucional. O rei devia respeitar uma série de normas, fundadas sobre as idéias de retidão e justiça e sobre a necessidade de alimentar toda a população. Os textos dizem literalmente que o faraó estava sujeito a essas leis primárias.

VEJA Ramsés, herói de seus livros, seria um bom governante nos dias de hoje?

Jacq – Creio que sim. Na época, a região compreendia povos com interesses conflitantes, como palestinos, hititas, sírios etc. Ramsés conseguiu promover a paz entre eles. Até hoje podemos ver o tratado que sela essa paz, escrito em hieróglifos nos muros de Karnak. É um texto de inacreditável modernidade.

VEJAA idéia do arqueólogo como uma espécie de Indiana Jones faz algum sentido atualmente?

Jacq – Não. O arqueólogo como aventureiro pertence mais ao século XIX. Hoje, a grande aventura para a arqueologia está na exploração dos métodos científicos, que vão desde a biologia molecular até o uso de satélites para o mapeamento de sítios.

 VEJA Cientistas descobriram traços de tabaco e cocaína nos tecidos de uma múmia. Como isso é possível se ambos os produtos são originários da América?

Jacq – Bem, há quem diga que existia uma rota de comércio entre o Antigo Egito e a América. Além das amostras de tabaco e cocaína nas múmias, os defensores dessa tese apontam como evidência o fato de os astecas também terem construído pirâmides. Conheço muito pouco as civilizações da América do Sul para dar uma opinião séria a respeito desse ponto, mas acho que é preciso manter o espírito aberto. Eis aí uma bela questão para os jovens arqueólogos. Não acho que seja absurda a idéia de que os egípcios possam ter realizado viagens transoceânicas.

VEJA Países como a Grécia reclamam a devolução de objetos que foram retirados de seus sítios arqueológicos e levados para museus da Inglaterra e da França. O senhor acha justo esse tipo de reivindicação?

Jacq – Minha visão é pragmática. Durante muito tempo, o governo egípcio não mostrou a menor preocupação em preservar seu acervo arqueológico. 

Ninguém roubou o obelisco que enfeita a Praça da Concórdia, em Paris. Ele simplesmente foi vendido à França. Há também templos inteiros que foram doados a determinados países europeus por razões políticas. Será que deveríamos devolver tudo? No plano moral, sim. No plano prático, acho que não podemos ter ilusões. Os objetos que preenchem as prateleiras do Louvre, do Museu Britânico ou do Museu de Turim dificilmente voltarão ao Egito. 

Para mim, a solução ideal está na reconstituição dos monumentos mais importantes. Dou-lhe um exemplo: ao lado da pirâmide de Saqqara, existe um santuário onde foi colocada uma imitação perfeita da estátua original do faraó. Ficou ótimo. Há muitos sítios que poderiam passar por reformas semelhantes, sem que para tanto fosse necessário gastar quantias absurdas de dinheiro.

VEJA O que falta descobrir no Egito?

Jacq – Segundo as estimativas mais recentes, descobrimos somente 20% ou 30% de tudo o que existe sob as areias do Egito. Mesmo no caso dos sítios mais conhecidos, como o de Gizé ou o de Saqqara, há várias áreas que permanecem intocadas. Uma das descobertas que ainda precisam ser feitas é a do túmulo de Imhotep. Ele era arquiteto, médico, astrônomo e escritor. Foi um dos grandes espíritos da História da humanidade. O local da tumba é um mistério para os arqueólogos, mas já foi visitado por ladrões. Existem vários objetos com o nome de Imhotep, de autenticidade comprovada, que já foram vendidos por antiquários.

VEJA As pirâmides sobreviverão por mais quarenta séculos?


Jacq Sou pessimista. Há inúmeros problemas, e não sabemos como solucioná-los. Para começar, a Barragem de Assuã mudou o clima do Egito. Hoje, chove muito mais do que na Antiguidade e as pedras são sensíveis à umidade. Existe ainda a questão demográfica. A população do Egito aumenta à razão de 1 milhão de habitantes por ano e, com ela, crescem as cidades. Casas e prédios foram construídos às margens do platô das pirâmides. Por fim, existe o grave problema da poluição. Se não surgirem novas técnicas de preservação, acho difícil que esses monumentos durem outros 4.000 anos


Revista VEJA  edição 1648 de 10/02/2000


terça-feira, 8 de novembro de 2011

O Templo que voou como um pássaro



Ramsés não conseguia fechar os olhos. Os golpes das picaretas quebrando a rocha resoavam em sua cabeça.

 - "Ouves?" , pergunta ele à esposa Nefertari, que também estava desperta e igualmente inqueta.
 - "Aonde iremos? Será possivel que nos tirem de nosso lugar depois de tantos séculos?"
(Tawfik El-Hakim, Romancista Egípcio)

O APELO A HUMANIDADE

O diálogo entre Ramsés II e sua esposa "ocorreu" em 1964 em frente do Grande Templo de Abu Simbel, às margens do Médio Nilo...pouco antes de serem fechadas as comportas da Grande Represa do Assuã. Essa represa iria formar um imenso lago de 500 km de comprimento, dando uma larga faixa ao longo do rio e com uma parte inestimável do patrimônio cultural da Núbia (entre o Egito e Sudão). Os governos dos dois paises e a UNESCO (um orgão da ONU) fizeram, então, um apelo a todosos paises para salvar os sítios arqueólogicos e monumentos da Núbia.

 A VITÓRIA DA HUMANIDADE

Dezessete nações uniram-se ao Egito e Sudão. Foram: Polônia, Itália, Tchecoslovaquia, Estados Unidos, União Sovietica, Austria, Alemanha Ocidental, Ìndia, Espanha, Grã-Bretanha, Holanda, Gana, Finlândia e Argentina. Cada país se responsábilizou por um trecho promovendo pesquisas, escavações, desmontagem, transladação e reconstrução dos monumentos em local mais alto...
Outros paises ajudaram com financiamentos. Assim foi possivel fazer um grande número de descobertas e salvar muitas obras de valor inéstimavel como os Templos de Ramsés II em Abu Simbel. Foram abertos também, diversos Museus no Egito e no Sudão para receber a grande quantidade de material histórico descoberto.

UM EXEMPLO: O SALVAMENTO DE ABU SIMBEL

Os dois Templos de Abu Simbel foram escavados na rocha por Ramsés II que reinou entre 1290 a 1224 a. C. Estudados vários projetos, o governo Egípcio optou pelo translado dos   Templos para um local próximo 60 metros mais alto, depois de tê-los cortado em blocos. Custo dos trabalhos: 42 milhões de  dólares. Os dois monumentos foram cortados em 1036 blocos, pesando cada um entre 7 e 30 toneladas. E foram remontados no novo local. iniciada em 1964, a realização da obra - considerada "uma das maiores façanhas tecnicas de todos os tempos - foi concluida em 1968.  



 - "É estranho" -  dizia Ramsés, contemplando o Nilo.
 - "O rio jamais me pareceu tão baixo , nem nosso Templo tão alto!"
Nefertari ria:
 - "Queres acaso dizer que o Templo voou como um passáro até o topo da montanha?"
 - "O Templo já não está em seu lugar... Mas ainda não sei como isso aconteceu" - Prosseguia Ramsés.
 - "Por que dizes isso? Olha em volta, nada mudou!" - retorquia Nefertari

Ramsés olhava em torno. Via um camponês seminu, ligando o chaduf para irrigar seu campo, outro camponês trabalhava com um arado puxado por duas vacas. Via os mesmos asnos carregando os mesmos sacos com folhas de palmeira. Tudo estava igual... só seu Templo mudara. E ele não sabia como isso acontecera. 


domingo, 5 de dezembro de 2010

Os egípcios eram negros?


Quem nunca se deparou com um filme de Hollywood, que ao retratar os antigos egipcios, colocam atores de pele branca e olhos claros? Para nós tornou-se até mesmo comum ver cenas desse tipo, como nos filmes Cleópatra (1963) a Mumia (1999) ou o Retorno da Mumia (2001) entre outros; no entanto, quando observamos as velhas pinturas de túmulos, vemos pessoas completamente diferentes do esteriotipo: lábios grossos, pele de um vermelho amarronzado, e então nos perguntamos “os egipcios eram negro?”
Há muita controvérsia entre Egiptologos acerca deste assunto. Desde a descifração dos Hieroglifos até meados do século XX , acreditava-se que os egipcios eram completamente brancos, por influência de uma visão eurocêntrica racista.  Apartir dos anos de 1950 começaram a surgir às teorias de afro-centrismo, no qual postulava que os egipcios eram negros.
Atualmente existe uma grande confusão neste assunto, que muitos estudiosos preferem até evitar  de falar, alegando que não se pode determinar uma raça pura, e que tal conceito não existe. Zahi Hawass, o secretario geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, a maior autoridade para falar sobre o assunto, alega que os egipcios não eram nem  brancos nem negros, apesar de o Egito estar na Africa; outros tentam descobrir esse enigma atavez da análise comparativa de crânios negroides dos  não negroides, oque não constitui um estudo confiável, pois os critérios utilizados são muito incertos.
Outro ponto a se esclarecer é o das representações artisticas, que não nos dão conclusões definitivas desse assunto, pois que a arte no Antigo Egito não seguia um mesmo estilo de representação realista como na Grécia; no Egito faraônico não existia a arte pela arte, ela tinha um papel funcional, que é também visto em outras civilizações africanas. Desta forma as representações seguiam um padrão, sendo que as mulheres são retratadas com uma cor amarelo pálido, representando o feminino, associado a deusa Hathor, eos homens são retratados em uma cor vermelho acastanhado, associando-se ao Deus Seth.

Heródoto

Apesar de toda esssa confusão, não podemos descartar o testemunho dos sábios da antiguidade que estiveram em contato com os egípcios;um deles, Herodoto, considerado o pai da história, visitou o Egito e repetidas vezes faz referencia a cor da pele dos egípcios comparando-os com os Kolchus, um povo que vivia na região de  Colquida, onde atualmente é o país da Georgia. Herodoto afirma: “ é de fato evidente, que os colquidios são de raça egípcia (...) muitos egípcios me disseram que, em sua opinião, os colquídios eram descendentes dos soldados de Sesóstris. Eu mesmo refleti apartir de dois indicadores: em primeiro lugar, eles tem pele negra e cabelo crespo e em segundo lugar os egípcios e os etiopes foram os únicos povos de toda a humanidade a praticar a circuncisão desde os tempos imemoriais. Os próprios fenícios e sírios da palestina reconhecem que aprenderam essa pratica com os egípcios, enquanto que os sírios do rio Termodon e da região de Pathenios e seus vizinhos, os macrons, dizem te-la aprendido com os colquidios (...)".
 Outra evidência vem do oráculo de Dodona, na Grécia, que para provar a origem egípcia do oráculo, um de seus argumentos era: “ quando eles acrescentam  que a pomba era negra, dão a entender a mulher era egípcia”. As pombas em questão – na verdade, eram duas, de acordo com o texto – simbolizavam duas mulheres egípcias, que se dizia terem sido trazidas de Tebas, no Egito, para fundar os oráculos de Dodona na Grécia e o de Siwá na Libia.
Temos ainda, mesmo que de forma preconceituosa, o comentário do cientista e filosofo Grego Aristóteles que tenta estabeler uma relação entre a natureza física e a natureza moral dos seres vivos, fornecendo evidências que confirmam o testemunho de Herodoto: “Aqueles que são muito negros são covardes, como por exemplo, os egípcios e os etíopes. Mas os  excessivamente brancos também são covardes, como podemos ver pelo exemplo das mulheres; a coloração da coragem está entre o negro eo branco.”  E para concluir este pequeno resumo temos o do historiador Amiano Marcelino, que viveu aproximadamente no século IV d.C. e que escreve: “(...)a maior parte dos homens do Egito são morenos ou negros, com uma aparência descarnada”.   

E a lista de relatos não termina por ai, e constatando todos eles podemos reparar uma concordância entre si: os egípcios eram negros; este fato para eles era inegável! No entanto a controvérsia entre os egiptólogos ainda continua. Podemos também constatar nas pinturas e esculturas egípcias, que as vezes aparecem pessoas com narizes afilados e cabelos liso, e é ai que outra polêmica entra em questão! O fato é que sempre fomos condicionados a pensar que o estereótipo do negro é ter lábios grossos e cabelo crespo, mas se formos reparar nos dravidianos, um grupo étnico que vive na Índia, constatamos que eles são negros que tem cabelo liso! Assim como na Europa, mesmo ingleses, russos, italianos e Alemães possuírem uma pele branca, existem diferenças físicas entre eles. O mesmo não deixa de acontecer na África.

E respondendo a pergunta que dá titulo a esse texto: “sim, os egípcios eram negros!”. E se alguém tem algo para contestar ou para aprovar gostaria muito que deixasse seu comentário!